mulherescoracaoA cada ano, mais mulheres são vítimas de doenças cardiovasculares no Brasil. Atualmente, cerca de 30% dos casos de infarto têm mulheres como vítimas. Por conta disso, é necessário alguns cuidados especiais, já que o músculo cardíaco delas possuem algumas particularidades em relação ao dos homens.

O coração delas é menor, as artérias coronárias são mais estreitas e a frequência cardíaca de repouso maior, ou seja, o coração é mais acelerado. Essas mudanças, em si, não são grandes causadoras de problemas, segundo a médica cardiologista Elizabeth Giunco Alexandre, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, mas é importante ficar atenta, porque o diâmetro dos vasos pode favorecer o acúmulo de gorduras no futuro. “Tal particularidade vai interferir mais em uma cirurgia de revascularização dos vasos ou no caso de uma implantação de stents, caso seja necessário”.

O que requer mais atenção são as diferenças em relação aos sintomas de infarto. No quadro clínico do ataque cardíaco feminino, geralmente não há a presença de dois sinais bastante reconhecidos: aquela forte dor no peito do lado esquerdo e o formigamento no braço.

“O infarto na mulher tende a se manifestar de outra maneira, com fadiga intensa, náuseas e dor na boca do estômago. Muitas vezes ela não se dá conta de que pode estar infartando, pois consegue suportar a dor por mais tempo e acaba demorando muito para procurar ajuda. Os próprios médicos quando atendem às vezes também não associam a um quadro de infarto”, afirma Giunco.

O tempo entre o início do infarto e o recebimento do pronto socorro é determinante, pois tem reflexo direto nas possíveis sequelas e no sucesso do tratamento. O retardo no atendimento compromete o músculo cardíaco, pois é fundamental fazer o quanto antes a desobstrução e liberar a passagem de sangue para o coração.

É importante lembrar que há diferenças também em relação aos fatores de risco. Em geral, a doença coronariana aparece na mulher 10 anos mais tarde que nos homens, ou seja, elas costumam infartar por volta dos 50 anos, após a menopausa. O atraso tem relação direta com os hormônios femininos, pois coincide com o momento em que elas perdem estrogênio, um protetor natural do coração. “Outro fator a ser lembrado é que após esse período há modificações nas quantidades de colesterol no organismo. Há tendência de o bom cair e o ruim subir, o que acaba favorecendo o risco de infarto”, explica a cardiologista.

A médica alerta ainda que há mudança na distribuição de gordura corpórea. Começa a existir acúmulo de gordura na região do abdômen, o que contribui para o aparecimento e desenvolvimento de placas de gordura que obstruem a passagem do sangue.

Apesar das diferenças quanto aos sintomas e aos fatores de risco, a forma de prevenção é a mesma para os homens e mulheres. Praticar atividades físicas diárias por 30 minutos, consultar um médico regularmente, não fumar e ter uma alimentação rica em frutas e verduras podem fazer a diferença no futuro.